PL da SULANIDADE ( PROTEÇÃO e DEFESA DA CULTURAL NO SUL DO BRASIL
)
Ementa:
Institui a Lei da Sulanidade e de Proteção da Cultura Sulina, dispõe sobre a salvaguarda, a valorização e a difusão do patrimônio cultural de matriz sulina, cria o Sistema Estadual de Sulanidade e o Grupo Permanente de Defesa e Proteção da Cultura do Sul, institui o Cadastro Estadual do Patrimônio Cultural Imaterial Sulino, reconhece a herança cristã e a família como elementos da formação cultural regional, disciplina a difusão de conteúdo cultural regional e datas comemorativas nos meses de setembro e outubro, e dá outras providências ( Artigo 65 da Constituição estadual do Paraná; Artigo 50 da Constituição Estadual de Santa Catarina e Artigo 59 da Constituição Estadual do Rio Grande do Sul ).
Preâmbulo:
Paraná
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ, nos termos do art. 65 da Constituição Estadual, DECRETA:
Santa Catarina
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SANTA CATARINA, nos termos do art. 50 da Constituição Estadual, DECRETA:
Rio Grande do Sul
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, nos termos do art. 59 da Constituição Estadual, DECRETA:
DAS DISPOSIÇÕES FUNDAMENTAIS:
Capítulo I — Das disposições preliminares, dos princípios e das definições
Art. 1º Esta Lei institui a Lei da Sulanidade e de Proteção da Cultura Sulina e estabelece a política estadual de salvaguarda, valorização e difusão do patrimônio cultural de matriz sulina, aplicando-se à administração pública direta e indireta do Estado.
Art. 2º A política de que trata esta Lei rege-se pelos princípios da dignidade da pessoa humana, da diversidade cultural, da participação social, da cooperação federativa e da unidade da República Federativa do Brasil (art. 1º, caput, e arts. 215 e 216 da Constituição Federal).
Art. 3º Para os fins desta Lei, considera-se:
I — sulanidade: o conjunto de traços culturais compartilhados pelas comunidades formadoras da sociedade sulina, expressos em costumes, saberes, ofícios, festas, línguas, religiosidade, gastronomia, música, dança, arte e formas de sociabilidade;
II — patrimônio cultural sulino: os bens de natureza material e imaterial portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos grupos formadores da sociedade sulina (art. 216 da Constituição Federal);
III — línguas de herança: as línguas alóctones de transmissão intergeracional historicamente faladas no território do Estado;
IV — comunidade detentora: o grupo social que detém, transmite e reelabora o bem cultural, reconhecido como titular de sua salvaguarda ( art. 2º da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, promulgada pelo Decreto nº 5.753, de 12 de abril de 2006 ).
Art. 4º São objetivos desta Lei:
I — identificar, inventariar, registrar e salvaguardar o patrimônio cultural sulino;
II — reconhecer e valorizar as línguas de herança;
III — assegurar a transmissão intergeracional dos saberes e ofícios tradicionais;
IV — reconhecer a contribuição histórica das comunidades de fé cristã e das redes de solidariedade familiar para a formação cultural regional, na forma do Capítulo VIII;
V — instituir calendário estadual permanente de celebração da cultura sulina;
VI — assegurar presença de conteúdo cultural regional nos veículos mantidos pelo Estado e nas plataformas digitais oficiais, na forma do Capítulo VII;
VII — estabelecer cooperação institucional estável com os demais Estados da Região Sul.
Capítulo II — Dos limites, das vedações e da unidade federativa:
Art. 5º O Sistema Estadual de Sulanidade é arranjo de cooperação cultural de natureza administrativa e não constitui pessoa jurídica de direito internacional, não exerce competência da União e não detém soberania nem parcela de soberania.
Art. 6º É vedada a utilização dos instrumentos desta Lei para:
I — promoção pessoal de autoridade ou agente público (art. 37, § 1º, da Constituição Federal);
II — propaganda político-partidária ou eleitoral;
III — criação de distinções entre brasileiros ou preferências entre si (art. 19, III, da Constituição Federal);
IV — estabelecimento de culto, subvenção a igreja ou confissão, ou preferência entre fés (art. 19, I, da Constituição Federal);
V — difusão de discriminação de origem, etnia, religião, gênero ou condição social.
Art. 7º A instituição de símbolos, hinos ou denominações que possam ser confundidos com os símbolos nacionais é vedada, assegurado ao Estado o uso dos símbolos próprios na forma do art. 13, § 2º, da Constituição Federal.
DO SISTEMA ESTADUAL DE SULANIDADE:
Capítulo III — Da governança do Sistema
Art. 8º Fica criado o Sistema Estadual de Sulanidade, integrado pela Secretaria de Estado da Cultura, pelo Grupo Permanente de Defesa e Proteção da Cultura do Sul, pelo Conselho Estadual de Cultura, pelos órgãos setoriais de educação, turismo e meio ambiente e pelas comunidades detentoras, em regime de colaboração com o Sistema Nacional de Cultura ( art. 216-A da Constituição Federal ).
Art. 9º Fica criado o Grupo Permanente de Defesa e Proteção da Cultura do Sul — GPCS, órgão colegiado de natureza consultiva, propositiva e fiscalizadora, com atuação permanente e composição paritária entre Poder Público e sociedade civil.
Art. 10. O GPCS será integrado por representantes da Secretaria de Estado da Cultura, da Secretaria de Estado da Educação, de universidade pública estadual, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na unidade da Federação, do órgão estadual de patrimônio, de associações de municípios, de entidades de preservação do patrimônio, de comunidades tradicionais, de povos indígenas e de coletivos culturais de matriz de imigração, na forma do regulamento.
Art. 11. Compete ao GPCS propor o plano estadual de salvaguarda, emitir parecer sobre registro de bens, acompanhar a execução orçamentária, propor a instituição e a revisão do calendário de que trata o Capítulo VI, avaliar o cumprimento do Capítulo VII, articular a cooperação com os Estados signatários e apresentar relatório anual à Assembleia Legislativa.
Art. 12. Fica instituída a Comissão Interparlamentar Sulanidade, integrada por cinco Deputados Estaduais de cada Assembleia Legislativa signatária, indicados pelos respectivos Presidentes, com a finalidade de acompanhar a execução desta Lei e propor medidas de integração cultural.
Parágrafo único. A Comissão não exerce competência legislativa, não substitui as Assembleias e não pode convocar consulta popular.
Art. 13. Fica criado o Conselho Consultivo das Comunidades Detentoras, com a finalidade de manifestar-se previamente sobre inventário, registro e medidas de salvaguarda, assegurada a representação das comunidades tradicionais, indígenas e de matriz de imigração.
Capítulo IV — Do Cadastro Estadual e do patrimônio cultural imaterial:
Art. 14. Fica instituído o Cadastro Estadual do Patrimônio Cultural Imaterial Sulino, com registro obrigatório dos bens inventariados, das comunidades detentoras, das formas de transmissão e das medidas de salvaguarda, assegurado o acesso público por meio eletrônico.
Art. 15. O registro observará os seguintes critérios cumulativos:
I — antiguidade e permanência histórica da prática no território do Estado;
II — transmissão intergeracional comprovada;
III — reconhecimento pela comunidade detentora como parte de seu patrimônio;
IV — risco de descaracterização ou de descontinuidade;
V — relevância para a identidade cultural regional.
Art. 16. Constituem patrimônio cultural imaterial do Estado as práticas, saberes, expressões, modos de criar, fazer e viver e formas de sociabilidade das comunidades formadoras da sociedade sulina, compreendidos os ofícios tradicionais, a música, a dança, a gastronomia, as festas de comunidade, as línguas de herança e a religiosidade popular, na forma do inventário.
Art. 17. A salvaguarda compreende o inventário, a documentação, o registro, o apoio à transmissão intergeracional, o fomento à pesquisa e a produção de acervo, vedada a destinação de recursos públicos a proselitismo, catequese ou atividade de conversão religiosa.
Capítulo V — Das línguas de herança e da educação patrimonial:
Art. 18. Ficam reconhecidas como referência cultural e patrimônio imaterial do Estado as línguas de herança historicamente faladas em seu território, entre elas o guarani tupi, português, espanhol, o italiano, o alemão, o polonês, o ucraniano e o japonês……….na forma do inventário.
Parágrafo único. A língua portuguesa permanece a língua oficial da República Federativa do Brasil e a língua de uso obrigatório nos atos oficiais (art. 13, caput, da Constituição Federal).
Art. 19. A política de valorização linguística compreende o inventário e a documentação, o fomento ao ensino optativo na rede pública estadual em caráter complementar e não substitutivo, a produção de material didático, a sinalização bilíngue de caráter cultural e a formação de professores.
Art. 20. Os currículos da rede pública estadual incluirão conteúdos relativos à história, à geografia, à cultura e ao patrimônio sulino, em articulação com a Base Nacional Comum Curricular e com o Conselho Estadual de Educação, e fica autorizada a celebração de convênios de intercâmbio de professores, estudantes e pesquisadores entre os Estados signatários.
Capítulo VI — Das datas comemorativas e do calendário sulino:
Art. 21. Ficam instituídas, no âmbito do Estado, as datas comemorativas da cultura sulina constantes do Anexo Único desta Lei, distribuídas nos meses de setembro e outubro.
Art. 22. As datas integram o Calendário Oficial do Estado e serão celebradas por meio de programação conjunta entre os órgãos de cultura, educação e turismo, assegurada a participação das comunidades detentoras, vedada a criação de feriado ou de despesa obrigatória sem dotação específica.
Art. 23. A instituição das datas não altera nem reduz o alcance das comemorações estaduais já existentes.
Capítulo VII — Da difusão e da divulgação da cultura regional:
Art. 24. Fica instituída a Política Estadual de Difusão da Cultura Sulina, destinada a assegurar presença permanente e qualificada de conteúdo cultural regional nos veículos de comunicação mantidos pelo Estado, nas plataformas digitais oficiais e nos meios que recebam apoio financeiro estadual, com fundamento no art. 215, §§ 1º e 3º, e no art. 221, I, II e III, da Constituição Federal.
Art. 25. Para os fins deste Capítulo, considera-se conteúdo cultural regional a produção que tenha por objeto os costumes e modos de vida das comunidades formadoras da sociedade sulina; os sabores e a gastronomia típica; a música regional em suas vertentes nativista, tradicionalista, folclórica, campeira e de matriz de imigração; as tradições e festas de comunidade; a arte e o artesanato em couro, prata, lã, madeira, barro, fibra e renda; as bebidas típicas em abordagem cultural e histórica; as danças típicas; os ofícios tradicionais; as línguas de herança de que trata o art. 18; e o patrimônio cultural material e imaterial do Sul.
Art. 26. A emissora de televisão e as estações de radiodifusão mantidas pelo Estado observarão: destinação de, no mínimo, dez por cento da programação semanal a conteúdo cultural regional; destinação de, no mínimo, vinte por cento da programação regional a produção independente de produtores sediados no Estado; exibição de, no mínimo, um programa semanal sobre cultura sulina em faixa de maior audiência, vedada a alocação exclusiva em horário de baixa audiência; veiculação diária de, no mínimo, duas chamadas ou vinhetas; e recursos de acessibilidade nos programas referidos.
Parágrafo único. Nas unidades da Federação que não mantenham serviço próprio de radiodifusão, as obrigações deste artigo incidem sobre as plataformas digitais oficiais e sobre a publicidade institucional, na forma dos arts. 27 e 28.
Art. 27. Os perfis, canais e sítios eletrônicos oficiais observarão a publicação semanal de, no mínimo, três peças originais sobre cultura regional, a manutenção de acervo digital público de acesso gratuito, o licenciamento de uso aberto para fins educacionais e culturais não comerciais e a acessibilidade dos conteúdos audiovisuais.
Art. 28. A publicidade institucional do Estado destinará, no mínimo, vinte por cento do valor anual contratado a veículos de alcance regional, comunitário e local, e incluirá peça sobre patrimônio cultural regional em toda campanha de valor superior ao fixado no regulamento.
Art. 29. Os beneficiários de patrocínio, convênio, termo de fomento, termo de colaboração ou incentivo fiscal de natureza cultural que explorem serviço de comunicação assumirão, como contrapartida, a veiculação gratuita de conteúdo cultural regional equivalente a cinco por cento do valor do apoio recebido.
Parágrafo único. O descumprimento sujeita o beneficiário à devolução proporcional do valor recebido, corrigido monetariamente, e ao impedimento de novo apoio estadual por dois anos.
Art. 30. Fica criado o Selo Sulanidade de Difusão Cultural, certificação anual conferida pelo GPCS aos veículos e plataformas que comprovem veiculação de conteúdo cultural regional superior ao mínimo legal, com preferência na contratação de publicidade institucional e acesso preferencial às linhas de fomento cultural.
Art. 31. A abordagem de bebidas típicas observará a Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996, vedado conteúdo que estimule o consumo por crianças e adolescentes, associe o consumo à condução de veículos ou apresente a bebida como elemento de afirmação pessoal, assegurada a abordagem histórica, artesanal, gastronômica e patrimonial.
Art. 32. O Estado fomentará a produção independente de conteúdo cultural regional por meio de editais específicos, com reserva de, no mínimo, trinta por cento das vagas a produtores de municípios com menos de vinte mil habitantes e a coletivos culturais de comunidades tradicionais.
Art. 33. O GPCS avaliará anualmente o cumprimento deste Capítulo e publicará relatório com identificação do percentual efetivamente veiculado por veículo, encaminhado à Assembleia Legislativa e ao Conselho Estadual de Cultura.
CAPÍTULO VIII — DO SELO DE ORIGEM DA SULANIDADE:
Art. 34. Fica instituído o Selo de Origem da Sulanidade — GEO, certificação voluntária de origem e de conformidade de produtos, serviços e roteiros turísticos vinculados ao território do Estado.
§ 1º O Selo é sinal distintivo de certificação, a ser registrado como marca de certificação nos termos do art. 123, II, e do art. 148 da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, e da Instrução Normativa INPI nº 59, de 25 de agosto de 2016.
§ 2º O Selo não constitui indicação geográfica, não gera exclusividade sobre nome geográfico e não substitui o registro de que tratam os arts. 176 a 182 da Lei nº 9.279/1996.
§ 3º O uso do Selo depende de licença de uso outorgada nos termos do Regulamento de Uso, vedado seu emprego por quem não seja certificado.
Art. 35. A gestão do Selo observa desenho tripartite, com funções separadas e não acumuláveis:
I — órgão gestor de política: a Secretaria de Estado da Cultura, à qual compete definir a política do Selo, aprovar e revisar o Regulamento de Uso, reconhecer a entidade certificadora e decidir recurso em instância única;
II — entidade certificadora: pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, acreditada por organismo de acreditação reconhecido e operando conforme a norma ISO/IEC 17065, à qual compete exclusivamente auditar e decidir sobre certificação, suspensão e revogação;
III — agência de promoção: estrutura de promoção comercial e turística, à qual compete divulgar os certificados e apoiar sua comercialização, vedado interferir no juízo técnico da entidade certificadora.
§ 1º É vedado que dirigente da entidade certificadora exerça cargo ou função no órgão gestor ou na agência de promoção, e vice-versa.
§ 2º A entidade certificadora não recebe recursos destinados à promoção e custeia-se por taxa de certificação, vedada a subordinação de seu orçamento ao órgão gestor.
§ 3º O reconhecimento da entidade certificadora pelo órgão gestor será revisto a cada quatro anos, observados os indicadores de que trata o art. 43.
Art. 36. O Regulamento de Uso será aprovado por ato do órgão gestor, ouvidos o Grupo Permanente de Defesa e Proteção da Cultura do Sul e o Conselho Consultivo das Comunidades Detentoras, e conterá, no mínimo:
I — as cadeias produtivas abrangidas e os requisitos técnicos de cada uma;
II — a delimitação da área de origem;
III — o procedimento de requerimento, auditoria, decisão e recurso;
IV — os prazos de análise e de validade do certificado;
V — a taxa de certificação e sua forma de custeio;
VI — as hipóteses de suspensão e de revogação e seus efeitos;
VII — os indicadores públicos de desempenho e sua forma de publicação.
Art. 37. São requisitos gerais de certificação, cumulativos:
I — origem delimitada, comprovada por documentação da área de produção ou de prestação do serviço;
II — modo de fazer documentado, com descrição do processo e identificação dos responsáveis;
III — conformidade com a legislação sanitária, ambiental e trabalhista aplicável, comprovada por regularidade cadastral;
IV — rastreabilidade digital, com registro acessível por endereço único de verificação;
V — governança coletiva, quando o requerente representar grupo de produtores ou prestadores;
VI — ausência de uso indevido de indicação geográfica registrada por terceiro.
Parágrafo único. O requisito do inciso III é eliminatório e sua não comprovação impede a certificação, sem possibilidade de suprimento por outros requisitos.
Art. 38. Os requisitos técnicos específicos por cadeia constam do Anexo II desta Lei, e sua atualização observará o procedimento do art. 36.
Art. 39. O procedimento de certificação compreende requerimento instruído, auditoria documental e, quando cabível, auditoria em campo, decisão fundamentada e outorga de licença de uso, assegurados o contraditório e a ampla defesa.
§ 1º Da decisão denegatória cabe recurso ao órgão gestor, no prazo de trinta dias, decidido em instância única e com fundamentação técnica.
§ 2º O prazo de análise é de noventa dias, contados do requerimento completo, prorrogável por igual período mediante justificativa publicada.
Art. 40. A manutenção da certificação depende de autodeclaração anual do certificado e de auditoria de verificação por amostragem, sem prejuízo de auditoria completa a cada dois anos.
Parágrafo único. A recusa de auditoria, a ausência de autodeclaração por dois exercícios consecutivos ou a constatação de informação falsa sujeitam o certificado à suspensão de que trata o art. 41.
Art. 41. A certificação será suspensa, por prazo determinado não superior a cento e oitenta dias, nas hipóteses de:
I — descumprimento sanável de requisito técnico;
II — ausência de atualização da documentação exigida;
III — apuração de indício de fraude, enquanto durar a instrução;
IV — inadimplência da taxa de certificação por mais de noventa dias.
Parágrafo único. Durante a suspensão é vedado o uso do Selo, facultada a manutenção da comercialização do produto ou serviço sem referência à certificação.
Art. 42. A certificação será revogada, com cancelamento do registro e vedação de novo requerimento por cinco anos, nas hipóteses de:
I — comprovação de fraude na origem, no processo ou na documentação;
II — reincidência em hipótese de suspensão;
III — uso do Selo após o decurso do prazo de suspensão sem regularização;
IV — condenação definitiva por submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão, por trabalho infantil ou por infração ambiental grave;
V — uso do Selo para qualquer dos fins vedados no art. 6º desta Lei.
§ 1º A revogação é publicada em sítio eletrônico oficial, com identificação do requerente e do fundamento.
§ 2º A revogação não afasta a responsabilidade civil e penal cabível.
Art. 43. O órgão gestor publicará, anualmente e em painel de acesso público, os seguintes indicadores:
I — número de requerimentos apresentados, deferidos, indeferidos e em tramitação, com a taxa de indeferimento;
II — número de certificados ativos, suspensos e revogados no exercício;
III — tempo médio de decisão, por cadeia produtiva;
IV — reclamações recebidas e percentual de procedência;
V — distribuição territorial dos certificados e participação de produtores familiares, de comunidades tradicionais e de empreendimentos de pequeno porte.
Parágrafo único. Os indicadores são condição de manutenção do reconhecimento da entidade certificadora, na forma do art. 35, § 3º, e a taxa de indeferimento integrará a divulgação institucional do Selo.
Art. 44. A articulação do Selo com os demais instrumentos desta Lei observa o seguinte:
I — o Selo utiliza base única compartilhada com o Cadastro Estadual do Patrimônio Cultural Imaterial Sulino de que trata o art. 14, vedada a duplicidade de coleta de dados;
II — a definição dos requisitos técnicos depende de parecer do Grupo Permanente de Defesa e Proteção da Cultura do Sul e do Conselho Consultivo das Comunidades Detentoras;
III — o produto, serviço ou roteiro certificado é considerado conteúdo cultural regional para os fins do art. 25, dispensada verificação adicional;
IV — o certificado tem preferência na certificação de difusão de que trata o art. 30;
V — o Estado signatário do consórcio de que trata o art. 40 reconhecerá, mediante cláusula de reciprocidade, o certificado emitido pelos demais Estados, vedada a exigência de nova auditoria;
VI — é vedado ao certificado e ao Selo servir a qualquer dos fins previstos no art. 6º.
Art. 45. O Selo custeia-se pela taxa de certificação, vedada sua utilização como condição de acesso a serviço público essencial ou como critério de reserva de mercado em contratações públicas, sem prejuízo de sua adoção como requisito técnico de qualificação quando justificado no instrumento convocatório.
Capítulo IX — Da herança cristã e da família:
Art. 46. Ficam reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do Estado, na forma do art. 216, I, II e IV, da Constituição Federal, as manifestações de religiosidade cristã que integram a formação histórica da sociedade sulina, entre elas as festas de comunidade e o Kerb, as festas do Divino, as procissões, as romarias, as quermesses, as celebrações de Natal e de Páscoa, os cânticos, os hinários e a música sacra, os ofícios a elas vinculados e as práticas de mutirão e de mútua ajuda delas decorrentes.
§ 1º O reconhecimento funda-se na antiguidade e na permanência histórica da fé cristã na formação da Região Sul, documentada nas missões religiosas, na colonização açoriana, na imigração italiana, alemã, polonesa, ucraniana e pomerana e na tradição campeira, e em sua contribuição para o patrimônio cultural, para as instituições de assistência e para as formas de organização comunitária do Estado.
§ 2º O reconhecimento não implica subvenção a culto, igreja ou confissão, nem preferência entre fés, observados o art. 19, I e III, e o art. 5º, VI e VIII, da Constituição Federal, mas é direito de resist|tência e proteção de crenças e modo de vida no território dos Estados da Federação.
§ 3º O disposto neste artigo não afasta a aplicação dos critérios do art. 15, observado o procedimento de registro do Capítulo IV.culação com o PL e custeio.
O desenho tripartite separa quem define a política (Secretaria), quem audita (certificadora sob ISO/IEC 17065) e quem promove (agência), com vedação de acumulação e de subordinação orçamentária.
Suspensão é sanável e temporária (até 180 dias); revogação é definitiva, com vedação de novo pedido por cinco anos e hipóteses objetivas, incluindo trabalho análogo à escravidão e infração ambiental grave.
Sete indicadores públicos no art. 43, com a taxa de indeferimento como núcleo da credibilidade e condição de manutenção do reconhecimento da certificadora.
A articulação com o PL se dá em seis pontos, com destaque para base única com o Cadastro (art. 14), conteúdo já qualificado para o art. 25 e reconhecimento recíproco entre os três Estados (art. 44, V).
Se quiser, posso:
Redigir o Regulamento de Uso em ato separado, com formulários, checklists de auditoria e tabela de taxas por cadeia.
Elaborar o projeto de lei autônomo do Selo, caso o senhor prefira tramitação desmembrada do PL Sulanidade.
Preparar o manual do auditor, com critérios de pontuação, evidências exigidas por requisito e modelo de relatório.
Montar o painel público de indicadores em formato de página acessível, para o art. 43.
Art. 47. A salvaguarda das manifestações de que trata o art. 34 compreende o registro, a documentação, o inventário, o apoio à transmissão intergeracional e o fomento à pesquisa, à produção de acervo e à realização das celebrações, vedada a destinação de recursos públicos a proselitismo, catequese ou atividade de conversão religiosa.
Art. 48. Ficam reconhecidos como patrimônio cultural material do Estado os templos, capelas, catedrais, santuários, cemitérios, cruzeiros, grutas, casas de comunidade e demais edificações vinculadas à religiosidade cristã das comunidades formadoras da sociedade sulina, bem como a arte sacra, os sinos, os órgãos e os acervos documentais, musicais e bibliográficos a elas relativos.
Parágrafo único. O tombamento e o registro observarão o regime de proteção do patrimônio cultural, a Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, no que couber, e o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal de que o tombamento instituído por lei tem natureza declaratória, integrando a fase provisória do procedimento.
Art. 49. Fica reconhecida a família tradicional geradora de vida como base da sociedade, com especial proteção do Estado, na forma do art. 226, caput, da Constituição Federal, e reconhecida a contribuição histórica das comunidades de fé cristã para a formação das redes de solidariedade familiar e comunitária no território do Estado.
§ 1º O reconhecimento não estabelece hierarquia entre formas de família, observados o art. 226, §§ 3º e 4º, da Constituição Federal, o art. 3º, IV, e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
§ 2º O Estado apoiará programas de fortalecimento dos vínculos familiares, de prevenção da violência doméstica e familiar e de cuidado com crianças, adolescentes, pessoas idosas e pessoas com deficiência, em colaboração com entidades da sociedade civil, inclusive as de origem comunitária e confessional, na forma da parte final do art. 19, I, e dos arts. 203, I, 226, § 8º, 227 e 230 da Constituição Federal.
Art. 50. Fica instituído o Dia Estadual da Família e da Herança Cristã, celebrado anualmente no mês de outubro, integrado ao calendário oficial do Estado.
Parágrafo único. A data não constitui feriado nem implica despesa obrigatória, salvo dotação específica consignada na lei orçamentária.
Art. 51. O Estado assegurará o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção aos locais de culto e a suas liturgias (art. 5º, VI, da Constituição Federal) e adotará as medidas administrativas necessárias ao combate à intolerância religiosa, na forma da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989.
Parágrafo único. Considera-se intolerância religiosa a conduta que, por motivo de crença ou de ausência de crença, restrinja direito, impeça o acesso a serviço público, degrade o ambiente de trabalho, obstrua o funcionamento de local de culto ou ofenda a dignidade da pessoa.
DA ATUAÇÃO CONJUNTA E DAS DISPOSIÇÕES FINAIS:
Capítulo X — Da cooperação entre os Estados e do consórcio público
Art. 52. Fica o Poder Executivo autorizado a celebrar protocolo de intenções com os demais Estados signatários e a ratificar, por lei, o protocolo convertido em consórcio público, nos termos dos arts. 3º a 5º da Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, para execução conjunta das ações previstas nesta Lei.
Art. 53. A atuação conjunta compreende o calendário comum de celebrações nos meses de setembro e outubro, a base de dados compartilhada de bens registrados, o reconhecimento recíproco dos registros estaduais, o intercâmbio de acervos e de programação, a formação conjunta de agentes culturais e a realização de encontro anual rotativo entre os três Estados.
Art. 54. O consórcio público poderá atuar como central de compras e como órgão gerenciador de registro de preços, observada a Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021.
Art. 55. A celebração do protocolo e a ratificação do consórcio dependem de prévia estimativa do impacto orçamentário-financeiro e de dotação consignada na lei orçamentária (arts. 16 e 17 da Lei Complementar nº 101, de 2000).
Capítulo XI — Do financiamento, do controle e da transparência:
Art. 56. As despesas decorrentes desta Lei correrão à conta de dotações consignadas na lei orçamentária, vedada a realização de despesa sem prévia dotação e sem estimativa de impacto orçamentário-financeiro.
Art. 57. A prestação de contas será submetida ao GPCS e ao Tribunal de Contas do Estado, sem prejuízo da fiscalização federal quando houver repasse de recursos da União, assegurada a transparência ativa e o acesso à informação (Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011).
Art. 58. O Poder Executivo encaminhará à Assembleia Legislativa relatório anual de execução desta Lei.
Capítulo XII — Das disposições finais e transitórias:
Art. 59. A produção de efeitos dos arts. 40 a 43 fica condicionada à ratificação, por lei, do protocolo de intenções pelos três Estados signatários, observada a cláusula de reciprocidade.
§ 1º Os demais dispositivos desta Lei produzem efeitos a partir da publicação, independentemente da ratificação de que trata o caput.
§ 2º Os textos legais dos três Estados signatários conterão articulado idêntico, numerado de forma correspondente, de modo a assegurar interpretação uniforme.
Art. 60. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de noventa dias.
Art. 61. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
ANEXO — Datas comemorativas da cultura sulina:
Paraná:
Data |
Denominação |
|---|---|
8 de setembro |
Dia Estadual da Cultura Paranaense e do Tropeirismo |
15 de setembro |
Dia Estadual da Erva-Mate e dos Ofícios Tradicionais |
24 de setembro |
Dia Estadual da Araucária e da Floresta com Araucária |
3 de outubro |
Dia Estadual do Fandango Caiçara e das Manifestações Populares |
18 de outubro |
Dia Estadual das Culturas de Imigração do Paraná |
Santa Catarina:
Data |
Denominação |
|---|---|
5 de setembro |
Dia Estadual do Boi-de-Mamão e das Manifestações Populares |
12 de setembro |
Dia Estadual das Rendeiras e da Renda de Bilro |
25 de setembro |
Dia Estadual da Cultura Açoriana e da Festa do Divino |
6 de outubro |
Dia Estadual das Línguas de Herança de Santa Catarina |
20 de outubro |
Dia Estadual da Gastronomia e das Festas de Comunidade |
Rio Grande do Sul:
Data |
Denominação |
|---|---|
10 de setembro |
Dia Estadual do Chimarrão e da Cultura Campeira |
14 de setembro |
Abertura Estadual dos Festejos da Tradição Gaúcha |
24 de setembro |
Dia Estadual dos Ofícios Tradicionais em Couro, Prata e Lã |
2 de outubro |
Dia Estadual da Cultura Italiana e da Língua Talian |
16 de outubro |
Dia Estadual da Cultura Pomerana e Alemã |
28 de outubro |
Dia Estadual do Patrimônio Cultural Imaterial Gaúcho |

